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AI, AI, AI...

(Reportagem XVII Bocage)

A Guerra de Rosas - Camané

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Partiste sem dizer adeus nem nada
Fingiste que a culpa era toda minha
Disseste que eu tinha a vida estragada
E eu gritei-te da escada que fosses morrer sozinha
Voltaste e nem desculpa pediste
Perguntaste porque é que eu tinha chorado
Não respondi, mas quando vi que sorriste
Eu disse que estava triste porque tu tinhas voltado


Zangada esvaziaste o meu armário
E em nada ficou meu disco preferido
De raiva rasguei o teu diário, virei teu saco ao contrário, dei-te cabo do vestido
Queimaste o meu jantar favorito
Deixaste o meu champanhe azedar
E quando cozinhei o piriquito para abafar o teu grito, eu começei a cantar...


Fumavas e eu nem suportava o cheiro
Teimavas em me acender um cigarro
E quando tu me ofereceste um isqueiro
Atirei-te com o cinzeiro, escondi as chaves do carro
Não queria que visses televisão em dia de jogos de Portugal
Torcias contra a nossa seleção, se eu via um filme de acção tu mudavas de canal


Tu querias que eu fosse contigo ao bar
Só ias se eu não entrasse contigo
Sai-a p’ra não ter de te aturar, tu ficavas a dançar com o meu melhor amigo
Gozavas porque eu não queria beber
Ralhavas ao veres-me de grão na asa
Eu ia a festa sem te dizer, nunca cheguei a saber, se tu ficavas em casa


Tu deste ao porteiro roupa minha
Soubeste que lhe dera o teu roupão
Eu dei o teu anel à vizinha pela estima que lhe tinha
Ofereceste-lhe o meu cão
Foste-me lendo o teu romance de amor
Sabendo que eu não gostava da história
No dia de o mandares para o editor, fui ao teu computador
Apaguei-o da memória.


Se cozinhavas eu jantava sempre fora
Juravas que eu havia de pagá-las
Põe-te na rua dizias-me a toda a hora e quando eu me fui embora
Tu ficaste-me com as malas
Depois desses anos infernais
Os dois eramos caso arrumado
Achando que também era de mais
Juramos p’ra nunca mais, foi cada um pra seu lado.


No escuro tu insistes que eu não presto
Eu juro que falta a parte melhor
O beijo acaba com o teu protesto, amanhã conto-te o resto
Boa noite meu amor!


Agora: nós!

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Elas dizem que sou outra,
Que perdi a veia anti-social, Que há algo de diferente em mim...
Elas dizem que pareço uma miúda
Com atitudes e comportamentos de 23 (ou menos!), Que estou melhor assim...
Elas dizem que o meu corte foi exagerado
Que não pareço tão alucinada, Que me fica bem assim...

Elas dizem que estou sem emprego! Eu digo que mudei de vida :)

Eu e a inércia

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Já lá vai o tempo em que eu até simpatizava, de alguma forma, com a Física, achava os conteúdos interessantes e lógicos e encontrava-lhes sempre um aplicação mais ou menos directa. O problema foi que, na minha primeira aventura pelo ensino superior, percebi que teria uma cadeira de Física pela frente e a simpatia transformou-se em ódio de estimação (já para não falar de alguns físicos ou engenheiros físicos que me passaram pela frente).

Hoje, volto a recordar os conceitos de Física que até me fascinavam e concentro-me naquele que foi sempre o meu favorito: a inércia! Alguém dizia (Newton, se não estou em erro) que, por inércia, um corpo em repouso tem tendência para permanecer em repouso e que um corpo em movimento tem tendência para se manter em movimento. Ora, desta teoria resulta também que é necessária uma maior força para retirar um corpo do repouso do que para mantê-lo em movimento.

A verdade é que estas ideias todas servem-me de consolo! Para mim, é isto que vem explicar o facto de alguém permancer imenso tempo em frente a uma folha em branco… É difícil começar, exige muita força (de vontade), mas quando se começa a coisa até flui direitinho e, com mais ou menos correcções e reformulações, o trabalho vai avançando.

Eu ultimamente ando atacada pela inércia (poderia chamar-lhe preguiça mas não teria nem metade do impacto) e vou ter mesmo que contrariar isso. Portanto, “Força, volta que estás perdoada!”.

Aniversário

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  1. Excelente companhia
  2. Beijos
  3. Abraços
  4. Uma serenata
  5. Musiquitas
  6. Uma despedida
  7. Uma garrafa de vinho do Porto
  8. Uma massagem
  9. Uma mensagem
  10. Um trabalho para entregar
  11. A casa invadida
  12. Uma pedra para cozinhar
  13. Arroz de marisco
  14. Bolo de caramelo e nozes
  15. Pseudo cheesecake de morango
  16. Um telefonema
  17. Um Merrel azul claro
  18. Outro Merrel azul claro
  19. Uma ida à baixa
  20. Uma ida ao IKEA
  21. Uma Galinha Gorda
  22. Uma noite de Estudantino
  23. Um mail
  24. Uma fotografia com o cabelo demasiado curto
  25. Um polvo Sorriso
  26. Um muffin de baunilha e chocolate
  27. Outro muffin mas de morango e chocolate branco
  28. O Atlas do Viajante – Europa
  29. Velinhas!

No meu aniversário, tive direito a tudo isto e muito mais… Parece que já foi há imenso tempo, que já se passaram imensas coisas entretanto, mas continua a ser importante para mim. Não estou presa a esse passado recente, só que, neste momento, necessito agarrar-me às coisas boas para avançar. E algumas destas coisas foram mesmo muito boas!

Obrigado a todos que me proporcionaram, de alguma forma, um sorriso!

Há um ano

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Não existiam cortinas, nem tapetes e o eco era avassalador. Os meus passos, já de si pesados, pareciam ganhar uma nova e ensurdecedora vida de cada vez que invadia o hall de entrada.
Não havia gás, nem fogão, nem esquentador, nem microondas, nem máquina do café, nem congelador (se bem que este agora também não "existe")...
Duas divisões estavam completamente nuas e desprovidas de vida, não existiam objectos pessoais espalhados (conscientemente) por todo o lado. E o quarto tinha apenas uma cama e uma mesa de cabeceira.
Não havia televisão e continua sem haver.
Não existia um lugar certo para nada porque, pura e simplesmente, ainda nada tinha lugar.
As paredes e os tectos estavam imaculados, pintados de fresco, sem fungos e sem buracos (o que já não corresponde à verdade em muitos sentidos), para compensar os azulejos (que só soube passado um tempo a cor verdadeira que têm).

Ainda assim, esta mansão estava cheia, cheia de boas energias e de um cheiro doce a conquista, a liberdade!

SHIUUUU IV

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