Exercício

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Ainda não eram sete da manhã e ele tocou... Era o sinal que eu esperava.

Abri os olhos e arrastei-me para fora da cama a cantarolar mentalmente:

“Muda de vida se tu não vives satisfeito

Muda de vida estás sempre a tempo de mudar

Muda de vida não deves viver contrafeito

Muda de vida se há vida em ti a latejar”

 

Há já alguns dias que a música (toda a que costumo ouvir regularmente e as pérolas que decidi desenterrar também) toca, continuamente, num volume superior ao aceitável para se fazer ouvir acima de qualquer ruído da minha cabecinha cansada e sob efeitos hormonais de taurina. E eu, que passo o tempo a defender que a música, essa sim, cura todos os males, tive de me render...

 

Passava pouco das sete, ele aproximou-se e disse: “Nem te reconheci, não esperava ver-te por aqui a esta hora!”. Pois é, mas eu tinha saudades, tantas mas tantas saudades, daquelas que não cabem no peito! E antes que elas transbordassem da pior forma, resolvi a questão... Ele dizia “Não forces” e eu pensava “Temos pena!”.

 

Voltei a abusar de mim! Gostei muito e não me dói nada (depois de um fim-de-semana a fazer caminhadas opcionais em cima dos tacões só podia melhorar)! Mais importante que isso, sinto-me bem e estou de bom humor! Gosto! Era mesmo disto que eu estava a precisar Piscar de olho

Pássaros do Sul – Mafalda Veiga

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O bando debandou
subindo o arvoredo
do vácuo que ficou
no fim do seu degredo
as asas abrem chagas
no acinzar do entardecer
e amansam a agonia
do dia a escurecer

ensombram a ribeira
e o verde da seara
e passam pela eira
em que o sol se pousara
nas gotas do orvalho
luarento e vacilante
refrescam o cansaço
e dormem um instante

Pássaros do sul
bando de asas soltas
trazem melodias
p'ra cantar às moças
em noites de romaria
em noites de romaria

no adejo da alvorada
oscila a minha mágoa
o céu à desgarrada
irrompe azul na água
e a passarada acorda
no sonhar de um camponês
e entrega-se no sul
do frio que à noite fez

é tempo da partida
e a cor no horizonte
adensa a despedida
e o borbotar da fonte
as asas abrem chagas
na poeira o sol acalma
num agitar inquieto
que me refresca a alma

pássaros do sul
bando de asas soltas
trazem melodias
pra cantar às moças
em noites de romaria
em noites de romaria

Pôr-do-sol

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Para que possa nascer um novo dia…

XV FARTUNA

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fartuna

Porque sabe bem sentir que ainda há (muito) boas desculpas para todos os “códigos postais” amigos se aproximarem e se fundirem num só Sorriso

Eu vou!

A desprevenida

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Em casa dos papás, na terrinha onde cresci, a conversa passava, por diversas vezes (e acredito que ainda passe quando algo assim o justifique), pelos cognomes dos reis. Ora bem, eu sempre detestei história, portanto, esse conceito de ter que saber o nome dos reis todos transcende-me imenso e, se nem consigo atinar com o nomes, que direi dos cognomes. Mas há um que acredito que não vou esquecer, de tanta vez ouvir a mesma frase: “D. Dinis, o Lavrador, porque mandou plantar o pinhal de Leiria”. Eu não podia participar na conversa mas podia sempre aprender mais qualquer coisa, por isso, é claro que conheço outros cognomes, dos mais óbvios (por exemplo, O Grande, O Venturoso, O Justiceiro) e sem saber muito bem a que se devem Língua de fora

Hoje, dei por mim a escolher um cognome… Já tinha dado o dia por terminado, com uma grande revelação depois de um dia, por si só, em cheio e, eis senão quando, “aguenta-te com esta, aguenta-te com esta, a culpa não foi minha”… É muita emoção para uma dama só (ainda por cima estou crente que amanhã a coisa se pode repetir).

Jeitosas e jeitosos da minha vida, eu já não tenho a mesma resistência e já lá vai o tempo em que eu era uma estudante universitária bastante prevenida, contente por achar que trajava bem SÓ porque não me revistavam os bolsos (santa inocência!) onde existiam sempre linhas, agulhas, pensos rápidos, lenços de papel, alfinetes de dama, esferográficas, elásticos pretos para o cabelo… Portanto, mesmo que se assegurem que estou sentada, que tenho bebida por perto para afogar qualquer sentimento duvidoso, que não há perigo de paragem cardíaca, quando me derem uma daquelas notícias verdadeiramente escabrosas (para as quais nunca vou estar minimamente preparada) lembrem-se que vou estar em choque e não vou dizer nada de jeito!

Boa Páscoa

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A Páscoa nunca teve grande significado para mim… Não sei bem explicar porquê, mas talvez tenha sido o contexto alimentar (detesto borrego) mais do que o contexto religioso.

Como me dizem às vezes aqui por casa, não vivi tempo suficiente com a avó Isabel (a avó paterna) para aprender a dar valor a isso ou para ir à missa todos os domingos ou para passar férias num monte a fugir à frente (ou atrás) dos patos ou para tantas outras coisas! Poderá ser essa a explicação mas não me convence muito.

Este ano, a Páscoa ganhou um novo “sentido”, todo um novo brilho de quem deseja algo que não sabe se consegue alcançar (como é o caso da minha mãe).

A verdade é que ela tem umas ideias muito interessantes mas, na hora de as colocar em prática, consegue facilmente passar o testemunho – deve achar que eu sou dotada para os trabalhos manuais!

Portanto, eu esperneio, corto, dobro, colo e rio imenso, desenho, pinto e rio ainda mais, desisto e volto a tentar e, por fim, exibo o resultado final como se de um grande feito se tratasse Sorriso

coelho

É mesmo!

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Neste sábado que passou, ou melhor, na deslumbrante e chuvosa noite deste sábado que passou, fui muito feliz!

Os quilómetros que separavam o meu traje azul de outros trajes azuis (ainda que só os tenha visto na versão masculina) não eram assim tantos e, apesar de ter dado por mim outra vez sem companhia para embarcar nesta aventura (não sei como é que ainda estranho), decidi arriscar. A alternativa era esperar mais 15 dias mas não deu mesmo.

Valeu a pena! Sim, vocês têm razão, vale sempre a pena! As vossa acções reflectem as vossa palavras e fazem-me sempre sentir “em casa”, essa casa onde já não pertenço mas (sonhar é grátis!) onde nunca vou deixar de pertencer…

Adoro o vosso jeitinho para a Serenata Rural, sussurrada ao ouvido, e dou por mim a cantarolar o “Ai sim sou agricultor. Vivo de plantar o amor” enquanto me tento lembrar a vossa adaptação “encantadora” que faz rimar pacote com cullote Língua de fora Adoro a forma como interrompem os meus silêncios quando me falam de uma recepção ao caloiro de 2010, depois de me darem tempo para achar que alguém se enganou a arrumar os números (“não seria 2001?”). Adoro toda a conversa que temos para pôr em dia. Adoro a vossa excelente companhia. Adoro (ou talvez não) saber que vocês, os tunos, agora levam o vosso grelo para todo o lado Língua de fora

No Algarve, esse Algarve que vocês apresentam pelo país fora (mesmo que parte dessa apresentação tenha sotaque nortenho), ainda sou muito feliz!

 
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