Desfado – Ana Moura

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Quer o destino que eu não creia no destino
E o meu fado é nem ter fado nenhum
Cantá-lo bem sem sequer o ter sentido
Senti-lo como ninguém, mas não ter sentido algum

Ai que tristeza, esta minha alegria
Ai que alegria, esta tão grande tristeza
Esperar que um dia eu não espere mais um dia
Por aquele que nunca vem e que aqui esteve presente

Ai que saudade
Que eu tenho de ter saudade
Saudades de ter alguém
Que aqui está e não existe
Sentir-me triste
Só por me sentir tão bem
E alegre sentir-me bem
Só por eu andar tão triste

Ai se eu pudesse não cantar "ai se eu pudesse"
E lamentasse não ter mais nenhum lamento
Talvez ouvisse no silêncio que fizesse
Uma voz que fosse minha cantar alguém cá dentro

Ai que desgraça esta sorte que me assiste
Ai mas que sorte eu viver tão desgraçada
Na incerteza que nada mais certo existe
Além da grande incerteza de não estar certa de nada

Letra de Pedro da Silva Martins

Aspirações

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Hoje, arranjo coragem para ir até aqui:

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Amanhã, com jeitinho, consigo dar um salto até aqui:

fituips

Como querem que seja a mesma à segunda e à sexta!?

Exercício

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Ainda não eram sete da manhã e ele tocou... Era o sinal que eu esperava.

Abri os olhos e arrastei-me para fora da cama a cantarolar mentalmente:

“Muda de vida se tu não vives satisfeito

Muda de vida estás sempre a tempo de mudar

Muda de vida não deves viver contrafeito

Muda de vida se há vida em ti a latejar”

 

Há já alguns dias que a música (toda a que costumo ouvir regularmente e as pérolas que decidi desenterrar também) toca, continuamente, num volume superior ao aceitável para se fazer ouvir acima de qualquer ruído da minha cabecinha cansada e sob efeitos hormonais de taurina. E eu, que passo o tempo a defender que a música, essa sim, cura todos os males, tive de me render...

 

Passava pouco das sete, ele aproximou-se e disse: “Nem te reconheci, não esperava ver-te por aqui a esta hora!”. Pois é, mas eu tinha saudades, tantas mas tantas saudades, daquelas que não cabem no peito! E antes que elas transbordassem da pior forma, resolvi a questão... Ele dizia “Não forces” e eu pensava “Temos pena!”.

 

Voltei a abusar de mim! Gostei muito e não me dói nada (depois de um fim-de-semana a fazer caminhadas opcionais em cima dos tacões só podia melhorar)! Mais importante que isso, sinto-me bem e estou de bom humor! Gosto! Era mesmo disto que eu estava a precisar Piscar de olho

Pássaros do Sul – Mafalda Veiga

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O bando debandou
subindo o arvoredo
do vácuo que ficou
no fim do seu degredo
as asas abrem chagas
no acinzar do entardecer
e amansam a agonia
do dia a escurecer

ensombram a ribeira
e o verde da seara
e passam pela eira
em que o sol se pousara
nas gotas do orvalho
luarento e vacilante
refrescam o cansaço
e dormem um instante

Pássaros do sul
bando de asas soltas
trazem melodias
p'ra cantar às moças
em noites de romaria
em noites de romaria

no adejo da alvorada
oscila a minha mágoa
o céu à desgarrada
irrompe azul na água
e a passarada acorda
no sonhar de um camponês
e entrega-se no sul
do frio que à noite fez

é tempo da partida
e a cor no horizonte
adensa a despedida
e o borbotar da fonte
as asas abrem chagas
na poeira o sol acalma
num agitar inquieto
que me refresca a alma

pássaros do sul
bando de asas soltas
trazem melodias
pra cantar às moças
em noites de romaria
em noites de romaria

Pôr-do-sol

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Para que possa nascer um novo dia…

XV FARTUNA

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fartuna

Porque sabe bem sentir que ainda há (muito) boas desculpas para todos os “códigos postais” amigos se aproximarem e se fundirem num só Sorriso

Eu vou!

A desprevenida

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Em casa dos papás, na terrinha onde cresci, a conversa passava, por diversas vezes (e acredito que ainda passe quando algo assim o justifique), pelos cognomes dos reis. Ora bem, eu sempre detestei história, portanto, esse conceito de ter que saber o nome dos reis todos transcende-me imenso e, se nem consigo atinar com o nomes, que direi dos cognomes. Mas há um que acredito que não vou esquecer, de tanta vez ouvir a mesma frase: “D. Dinis, o Lavrador, porque mandou plantar o pinhal de Leiria”. Eu não podia participar na conversa mas podia sempre aprender mais qualquer coisa, por isso, é claro que conheço outros cognomes, dos mais óbvios (por exemplo, O Grande, O Venturoso, O Justiceiro) e sem saber muito bem a que se devem Língua de fora

Hoje, dei por mim a escolher um cognome… Já tinha dado o dia por terminado, com uma grande revelação depois de um dia, por si só, em cheio e, eis senão quando, “aguenta-te com esta, aguenta-te com esta, a culpa não foi minha”… É muita emoção para uma dama só (ainda por cima estou crente que amanhã a coisa se pode repetir).

Jeitosas e jeitosos da minha vida, eu já não tenho a mesma resistência e já lá vai o tempo em que eu era uma estudante universitária bastante prevenida, contente por achar que trajava bem SÓ porque não me revistavam os bolsos (santa inocência!) onde existiam sempre linhas, agulhas, pensos rápidos, lenços de papel, alfinetes de dama, esferográficas, elásticos pretos para o cabelo… Portanto, mesmo que se assegurem que estou sentada, que tenho bebida por perto para afogar qualquer sentimento duvidoso, que não há perigo de paragem cardíaca, quando me derem uma daquelas notícias verdadeiramente escabrosas (para as quais nunca vou estar minimamente preparada) lembrem-se que vou estar em choque e não vou dizer nada de jeito!

 
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