Ainda está para nascer

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Há carradas de anos atrás, eu (com a ajuda imprescindivel da minha falta de paciência) passava o tempo a dizer “ainda está para nascer o homem que…”, resumindo e baralhando, iria fazer o meu mundo girar ao contrário. Porque sempre achei que não devemos mudar quem somos, o que fazemos e aquilo de que gostamos só para agradar a outra pessoa mas há uma qualquer fase idiota das nossas vidas em que tudo isso faz sentido.

Na altura em que o meu sobrinho nasceu, deixei de o dizer, acreditava que poderia ter chegado essa altura… E efectivamente chegou! Abdiquei de muita coisa, ganhei outras tantas e certeza guardo apenas uma: o tempo não volta atrás. 

Eu e o David 5

Mas, como é próprio desta coisa que é a vida e as ciências (mais  ou menos) exactas não perdoam, o meu mundo deu uma grande volta e uma coisa anulou a outra para ficar tudo a girar no comprimento de onda certo.

Há dias em que ainda penso que estou enganada, que esse homem já nasceu, muitos e muitos anos antes de mim, e assim que ele precisar (ainda que muita gente ache que só porque estou num código postal diferente sou imune) o meu mundo gira no sentido que lhe der jeito.

Por agora, mais volta menos volta, decidi dar uma nova oportunidade à frase que tanta vez usei porque sei que “ainda está para nascer o homem que” já me arranca muitos sorrisos (e até mesmo gargalhadas durante o horário laboral). Piscar de olho

RM

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Hoje foi dia de ressonância magnética!

Diziam-me que era coisa simples, que não custava nada… “Deitas-te numa maca e depois enfiam-te numa máquina…” Claro, claro, tudo muito simples… Ou talvez não!

Ponto 1: “Há coisas que até nos esquecemos que temos” foi a frase da tarde, não fosse a simpática enfermeira estar a referir-se ao ferrinho que tenho de contenção colado na dentuça e conseguia, certamente, desenvolver uma tese bastante elaborada só em torno desta pérola.

Ponto 2: Qual maca, qual quê! Aquilo é meia maca, se quisermos ser simpáticos. Para me conseguir deitar na dita cuja tive que juntar os braços ao corpinho e não pensar mais no assunto que ainda descaía para algum lado.

Ponto 3: “O exame leva entre 10 a 20 minutos, por favor, não se mexa.” Estão a gozar? Eu sofro de ansiedade! Tenho bichos carpinteiros! Tudo bem que “não fazer nada” é uma das minhas actividades favoritas mas ficar imóvel é impensável, parecia que a cada instante os músculos todos se contraíam 50500 vezes mais do que o normal.

Ponto 4: “Não se assuste, vou-lhe pôr umas borrachinhas nos ouvidos…” Lembro-me de ter feito, em tempos muito idos, uma TAC e o meu maior contentamento era ouvir (e agora recordar) a voz que dizia: “Não respire…… Pode respirar….. Não respire…… Pode respirar…..”. Hoje, durante a ressonância, eu nem me conseguia ouvir a pensar, havia um ruído horroroso e ensurdecedor (as borrachinhas são mesmo só porque fica bem) à minha volta que conseguiu derrubar o meu sistema nervoso em segundos, eram daqueles sons repetitivos e intermináveis... Blhêca!

Coisas boas: o meu ferrinho não voou para fora da boca, nem queimei a língua, não caí da maca, não fiquei nua durante o exame porque a bata que me deram para vestir se prendeu na calha que desloca a maca (mas foi por pouco), voltei inteira e estou um passo mais perto para voltar às minhas “maratonas” Sorriso

X FITAM

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Hoje, para matar saudades, meti a escrita em dia aqui!

Há imenso tempo que não fazia auto-censura exacerbada à minha escrita mas teve que ser, frases como:
"Numa das tentativas que eu até fiz para acompanhar este pedaço do evento, fui atropelada por um mar de gente (sim, Matosinhos encheu-se para estes dias de festa) e, quando dei por mim, o meu horizonte tinha tudo menos tunas e a minha mobilidade já estava reduzida a uns dez “com licença”. Portanto, também não vi."
são pérolas que não estão ao alcance, fácil e imediato, de toda a gente :p

Pão

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DSCN0969

Ora bem, o dito cujo ficou um bocado pálido mas fez-me sentir que, no meio da minha falta de confiança para tudo o que envolve culinária, até me desenrasco muito bem.

A receita eu fui buscar aqui, depois de ter testemunhado (sempre a uma distância de segurança) que o conceito até é bastante simples e me ter convencido que até nas minhas mãos a coisa era capaz de resultar.

Aqui e agora, estou a fazer o “sacrifício” de comer pão, acabadinho de sair do forno Sorriso

Mente ao meu coração – Paulinho da Viola

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Mente ao meu coração
Que cansado de sofrer
Só deseja adormecer
Na palma da tua mão

Conta ao meu coração
Estória das crianças
Para que ele reviva
As velhas esperanças

Mente ao meu coração
Mentiras cor-de-rosa
Que as mentiras de amor
Não deixam cicatrizes
E tu és a mentira mais gostosa
De todas as mentiras que tu dizes.

Festivais

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Os meus festivais favoritos estão quase quase a terminar (chega o Verão e esta “doença” das tunas, que anda a par e passo com o calendário lectivo, tira férias) mas, sem que eu saiba bem como é que me deixei convencer, ainda tenho em vista este:

TABernal

E este:

fitam

Não sei se os horários se vão conjugar a meu favor (até porque o horário laboral parece que nunca existe quando faz mais falta e o horário dos expressos não gira à minha volta), não sei como me vou desenrascar (os meus 50500 rabiscos de mapas são algo que me transcende mas, ao mesmo tempo, são boas desculpas para me rir imenso), não sei se vai dar para tudo (dois numa noite é capaz de ser agressivo)… Há carradas de coisas que não sei mas há uma que eu sei muito bem: vou voltar ao Norte!

O regresso

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Nunca ouvi ninguém, que não fosse viciado no trabalho, dizer que voltar de férias é fácil, portanto, também não vou ser eu a fazê-lo. Ao voltarmos deparamo-nos com tudo aquilo que deixámos para trás na partida, tudo aquilo de que fugimos (nem que seja a rotina), tudo aquilo que temporariamente fizemos por esquecer e tudo aquilo que não resolvemos ou não enfrentámos vai estar exactamente onde deixámos porque “nada se perde, tudo se transforma” (Lavoisier). A vidinha “real” continuou e podemos nem compreender muito bem como as coisas se alteraram mas “sem pressas que há tempo, dá gosto o momento, e tudo o mais pode esperar”, não precisamos perceber tudo de uma vez só Sorriso

Hoje, eu estou grata pela luz, a luz do sol que não iluminou o meu quarto, que ilumina um dia frio e que se deixa ver; estou grata por todo o trabalho que ninguém se lembrou que precisava de ser feito e estava à minha espera para preencher o meu dia; estou grata por ter na minha vida quem se sente no aeroporto à minha espera enquanto se faz esperar; estou grata porque me fazem 50500 vezes a mesma pergunta, mesmo que seja apenas porque sim, para que eu não me esqueça que tenho tanta coisa para partilhar; estou grata por existirem pessoas que se interessam e param para ler as minhas teorias da treta; estou grata por não me terem cobrado nada mesmo cobrando…

 
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