E depois do adeus – Paulo de Carvalho

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Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci
Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.

Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder

Tu vieste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci

E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós
Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor que aprendi
De novo vieste em flor
Te desfolhei...

E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós

Letra: José Niza; Música: José Calvário

A Rute diz que a minha música é esta. Eu não discordo mas continuo a achar que é esta outra. Agora há quem ache que esta aqui é mesmo a mais indicada… Fico dividida!

Musiquinha – Deolinda

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Está tudo morto, não?
Não há motivação!
Nada acontece,
Está tudo à espera,
Está tudo encerrado, não?
Não há mais vibração,
Ninguém se mexe.
Que grande seca, pois...

Já que a ninguém espanta ver
Q' isto já não anda,
Põe a musiquinha e abana essa anca.

Já que a ninguém espanta ver,
Q' isto não avança,
Houve a musiquinha e abana, abana, abana.

Está tudo em ruínas, não?
Não há renovação!
Ninguém se inquieta,
Tudo embrutece,
Está tudo inquinado pá.
Não temos salvação,
E esta conversa já me aborrece, e...

Já que a ninguém espanta ver
Q' isto já não anda
Põe a musiquinha e abana essa anca.

Já que a ninguém espanta ver,
Q' isto não avança,
Houve a musiquinha e abana, abana, abana.

Abana quem pode,
Abana quem deve,
Abana quem sabe,
Abana quem esquece,
Abana quem pensa ou evita pensar,
Abana o bem para se pôr a abanar.

Abana o pai,
Abana o mãe,
Abana o velho,
O novo também,
Abana por bem,
Abana por mal,
Abana quem diz,
Que abanar é banal.

Abana o da frente,
Abana o de trás,
Abana o dali,
Abana os de cá,
Abana também se me vires abrandar,
Abana-me bem para eu te abanar.

Avante 2013

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Estava enganada em relação à Festa…

Percebo agora que a Festa do Avante vai ser sempre um local de encontros imediatos. Mas há encontros, inesperados, que são simples e brutalmente deliciosos (como um conhecido do Festival de Músicas do Mundo, um grande amigo dado para as politiquices, antigas féfes que gosto mesmo de rever, um primo por afinidade, o grupinho de malta da Estuna, TASCA e Sadina…) que compensam todos os outros menos interessantes.

Música houve imensa… Confesso que deixei, conscientemente, que me passasse ao lado grande parte da Festa para poder atestar os meus níveis de musiquinhas. E soube tão bem! Tive direito a estilos completamente distintos, desde a Orquestra Sinfonietta de Lisboa a Batida, desde Stonebones and Bad Spaghetti a Dazkarieh, desde Sérgio Godinho a Xutos e Pontapés… Apanhei não sei quantos concertos a meio e perdi a paciência para outros tantos. Mas valeu a pena, desliguei por completo para este banho de cultura. E consegui dançar, pular, exorcizar, rir e brincar (meditar é que acho que não) ao som da Carvalhesa Sorriso

Convém dizer que o Litoral Alentejano é excelente! Se colocarmos de lado o cansaço (que torna as pessoas chatas e rabujentas), se premiarmos o bom gosto e se valorizarmos os “amigos, companheiros, camaradas” simplesmente porque “a vida é feita de pequenos nadas”, então o Litoral Alentejano é o destino certo. E guardo o desejo que um dia, porque eu sou mesmo uma crente, vejam a Festa com os mesmos olhos calmos e descontraídos que usei este ano!

Dizem que “a vida são dois dias, a Festa do Avante três”! Mas eu juro que se houvesse mais um, só me arrastava até lá a balões de soro Língua de fora

Avante

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Foi em 99, salvo erro, que pisei pela primeira vez na Festa do Avante (ainda nem tinha idade para votar), quando a banda filarmónica da Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense foi convidada para fazer uma arruada antes do comício de abertura e, posteriormente, dar um pequeno concerto.

Desses momentos guardo poucas recordações (a prima, o mini palco, a mini-saia da farda quando se está num mini palco, o ensopado de borrego que me perseguiu em quase todas as saídas com a banda...), mas lembro-me como se fosse ontem do grupinho de jovens que desfardou em passo de corrida para se esparramar em frente ao Palco 25 de Abril a ver O concerto daquela, e de tantas outras, sexta-feira: a Orquestra.

Há três anos, nem sei bem como (a culpa foi certamente da companhia), repeti a proeza. E adorei (tirando a parte em que, depois de muitas fugas bem sucedidas, consegui ter um encontro imediato na casa-de-banho)! Foi o ano em que decidi “fazer o que ainda não foi feito”, ou qualquer coisa desse tipo, e valeu a pena.

Este ano, quase com a garantia que os encontros imediatos não vão acontecer, decidi rumar novamente à Quinta da Atalaia... Portanto, a banda sonora do fim-de-semana, entre tantas outras músicas de qualidade, vai ter (como já teve o anterior) a Carvalhesa :)

(Des)iludida

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O meu gajo traiu-me!

Estou cansada destas histórias que tendem a repetir-se e para as quais já conheço o fim… Eu amo-o muito mas não lhe vou perdoar nunca, não dá, eu simplesmente não sou capaz! Não depois de tudo o que vivemos juntos…

Uma gaja sente uma certa química, apaixona-se, deixa-se levar pela magia, ilude-se e vai baixando as guardas, vai ficando confortável e desleixa-se (infelizmente, há sempre uma fase em que isso acontece). Depois, quando se apercebe que vai no caminho errado, dá tudo por tudo para compensar, esmera-se, produz-se, mima o gajo de todas as formas, dedica-lhe toda a atenção e… Como é que ele retribui!? Deixa-a apeada!

Ninguém merece!

(DES)motivação

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A “internet” (num qualquer artigo que não consegui voltar a encontrar e com credibilidade discutível) diz que a falta de motivação é culpa do próprio indivíduo, que não identifica os factores que o levam a estar descontente e, consequentemente, não os elimina para exercer aquilo a que se chama auto-motivação.

Ora bem… No que diz respeito a voltar a sair de casa, depois de um dia extenuante, para ir receber o Marco no regresso das férias eu não me sinto desmotivada (“as saudades que eu já tinha”); para ir jantar fora ou assistir um concerto a meio da semana eu não me sinto desmotivada (“logo hoje que eu tenho mesmo de ir”); para fazer planos de fins-de-semana que destroem as minhas reservas energéticas eu não me sinto motivada (“aqui vou eu cheio de pica de Lisboa vou fugir…”); para passar horas a falar sobre coisas idiotas eu não me sinto desmotivada (“quando fala um português falam dois ou três”); para me arrancar da cama e ir para o trabalho (contrariamente ao que seria espectável) eu não me sinto desmotivada (“eu quero ver o sol, eu quero ver a luz do sol”)…

Portanto, não vou dizer que estou desmotivada, sinto que actualmente o meu problema já não é esse (eu preferia namorar o Channing Tatum mas se me dão o Bill Gates, vejo o lado bom da questão e ao menos tenho companhia Língua de fora), mas o que realmente me incomoda não dá simplesmente para eliminar… Pode dar para contrariar ou atenuar mas não estou a ver como…

Há dias em que nós temos um nuvem negra em cima da cabeça e não somos boa companhia para ninguém, com jeitinho ainda distribuimos a nuvem pelas pessoas que nos rodeiam e, em vez de uma nuvem negra, passamos a ter 50500 nuvens negras todas reunidas no mesmo espaço (o que faz desse um ambiente mesmo ruim para se permanecer). Com as minhas “nuvens” eu ainda sei lidar, mais coisa menos coisa e uns dias a roçar o limiar da loucura, agora com as nuvens de dondocas que nasceram com o rabo voltado para a lua e não conseguem perceber a sorte que têm a coisa torna-se complicada. Seria possível que, assim só por um diazinho, não achassem que os cágados voam e agradecessem por tudo aquilo que quem vos aquece as costas conquistou para vocês!? Agradecida!

Eu não sei quem te perdeu – Pedro Abrunhosa

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Quando veio,
Mostrou-me as mãos vazias,
As mãos como os meus dias,
Tão leves e banais.
E pediu-me
Que lhe levasse o medo,
Eu disse-lhe um segredo:
"Não partas nunca mais".

E dançou,
Rodou no chão molhado,
Num beijo apertado
De barco contra o cais.

E uma asa voa
A cada beijo teu,
Esta noite
Sou dono do céu,
E eu não sei quem te perdeu.

Abraçou-me
Como se abraça o tempo,
A vida num momento
Em gestos nunca iguais.
E parou,
Cantou contra o meu peito,
Num beijo imperfeito
Roubado nos umbrais.

E partiu,
Sem me dizer o nome,
Levando-me o perfume
De tantas noites mais.

 
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