Viver na Amadora

20h30m – Chegas a casa depois de um belo dia de estágio e uma passagem rápida pelo ginásio, estacionas o carro relativamente perto de casa. Como trazes 50500 sacos/malas/mochilas (do almoço, dos sapatos, do ginásio…) espalhados pelas diferentes áreas do carro, tiras tudo e  confirmas que trancaste o carro.

8h25m – Sais de casa, novamente com os 50500 sacos prontos para mais um dia, com a chave do carro na mão para facilitar todo o processo e diriges-te ao sítio onde deixaste o carro. Passas pelo sítio onde o carro deveria estar e pensas “ia jurar que o tinha deixado aqui”; continuas a busca, sem sucesso, voltas para trás e apercebes-te “tinha que  estar aqui” (o que acontece mais ou menos 5 segundos antes da sensação de vazio se apoderar de ti, começares a hiperventilar e “panicares”).

8h35m – Voltas a casa, largas tudo, corres a rua de uma ponta a outra e decides chamar a Polícia… O que não adianta de nada porque vais ter que ir, a pé, passear à esquadra mais próxima mesmo que não saibas onde ela fica.

8h50m – Tiveste sorte e a esquadra nem é assim tão longe! Entras a medo, com o olhar perdido e o coração nas mãos e perguntas “será possível que me tenham rebocado o carro, apesar dele até ter ficado bem estacionado?”. Há logo um agente simpático que tenta destruir os teus sonhos “tive de serviço toda a noite e não dei por nenhuma ocorrência desse tipo” enquanto outro te pede para aguardares. Quando se esgotam todas as alternativas, ele afirma “lamento mas a sua viatura deve ter sido furtada” e tu colapsas!

10h30 – Passaste a última hora a responder a perguntas despropositadas dignas de um filme de comédia (ainda que não te apetecesse nada rir) do tipo “sabe como foi efectuado o furto?” e a ouvir comentários estranhos como “não se preocupe, isso foi alguém que precisou de ir a algum lado e a viatura depois aparece”. Apetece-te acordar do pesadelo mas apercebes-te que não será assim tão simples. Voltas a casa para te tentares recompor, sem sucesso, e interiorizares a ideia de “há tanta gente que vive sem carro” mas, enquanto te diriges para usufruir dos transportes públicos, sentes falta de uma palavra amiga…

10h40m – Pegas no telemóvel, esperas ouvir uma voz do outro lado e tentas relatar o sucedido, na medida do possível… Ouves um “não saias daí que eu vou ter contigo”, palavras que irás agradecer, secretamente ou nem por isso, durante muito tempo. Atravessas a rua para cumprir com o combinado e esperar, à sombra, e o teu olhar é atraído, como um íman, para o fundo da rua, para a traseira de um carro mal estacionado – o teu carro!

Aproximas-te dele e sentes que perdeste anos de vida só nas últimas horas, ao mesmo tempo que reparas que ele não tem um único risco ou amolgadela, e confirmas que ninguém quis os teus cd de música portuguesa, que não podem ter feito quase quilómetros nenhuns e o gasto no gasóleo mal se nota. Simultaneamente, sentes que já não queres sair de perto dele, que há imenso tempo (quatro anos) que o tens na tua vida, que já partilharam imensas aventuras e não queres ter que viver sem ele (Materialista! Sim, e depois!?).

Moral da história: Para quem quer dormir uma noite descansada, sem sofrer de uma ansiedade miudinha que impulsiona a pessoa a ir à janela de hora em hora só para ter a certeza que o carro está no mesmo sítio… Arranje uma casa com garagem Língua de fora

0 comments:

Post a Comment

 
Copyright © PolicyMic-maluqueirasondecalhar Blogger Theme by BloggerThemes & newwpthemes Sponsored by Internet Entrepreneur